Arrumar as malas nunca foi apenas sobre viagens. Ao longo da minha vida, esse gesto sempre simbolizou mudanças, recomeços e decisões importantes. Hoje, ao completar mais um ano de vida, percebo que cada mala feita carregava mais do que roupas: levava sonhos, medos, perdas, conquistas e, acima de tudo, propósito. Por isso, este texto nasce como uma pausa no caminho. Um olhar para trás, mas também para frente.
O início da viagem: quando tudo ainda era plano
Desde muito cedo, entendi que o mundo era maior do que o lugar onde eu estava. Ainda jovem, fiz escolhas importantes, formei família e iniciei minha trajetória profissional. Em 2009, me casei e, naquele momento, acreditava que a vida seguiria um roteiro previsível. No entanto, como toda boa viagem, a minha também mudaria de rota algumas vezes.


Ao longo dos anos, me tornei mãe de três filhos. O Kaique, nascido em 1995, abriu em mim o senso de responsabilidade. Depois veio o João, em 2014, trazendo leveza e um novo olhar sobre o tempo. Em 2017, vivi a maior dor da minha vida com a perda do Miguel, apenas 13 dias após o nascimento. Ainda assim, mesmo nos momentos mais difíceis, aprendi que seguir em frente também é uma forma de amor.




Empreender também é viajar sem mapa
Com o passar do tempo, senti que precisava criar algo que tivesse a minha essência. Foi assim que, em 2013, abri minha agência de viagens. Naquele momento, empreender era como embarcar sem saber exatamente o destino final, mas com a certeza de que o caminho valeria a pena. Além disso, viajar sempre foi uma grande escola.




Conheci praticamente todo o Brasil e também destinos como Uruguai, Paraguai, Argentina, França, Espanha, Portugal, Itália, África do Sul, Chile e Colômbia. Cada lugar visitado me ensinou algo sobre culturas, pessoas e, principalmente, sobre mim mesma. Mais do que vender viagens, passei a construir experiências. Com o tempo, entendi que viajar é uma forma profunda de autoconhecimento.




As malas que a vida nos obriga a refazer
Entretanto, nem todas as malas são arrumadas por escolha. Algumas são impostas pela vida. Em 2015, perdi minha mãe. Essa perda redefiniu quem eu era e me fez entender, de forma profunda, o valor do tempo e das relações. Anos depois, em 2023, saí de casa e iniciei um novo ciclo pessoal.


Embora a separação prática tenha acontecido nesse ano, o divórcio oficial foi concluído em 2024, data que marco como o encerramento legal dessa etapa. Além disso, vivi períodos desafiadores que me afastaram do mercado de trabalho e me levaram a enfrentar momentos de depressão. Refazer malas, nesse momento, significou escolher o que ficaria e o que já não fazia mais sentido carregar.
Viagens pelo mundo e para dentro
Ao mesmo tempo em que atravessava mudanças pessoais, continuei viajando. E, curiosamente, quanto mais eu conhecia o mundo, mais aprendia sobre meus próprios limites, desejos e sonhos. Viajar me ensinou a respeitar o tempo de cada processo e a aceitar que nem tudo precisa estar resolvido para seguir adiante.
Além disso, compreendi que o verdadeiro luxo está na experiência, no cuidado e na possibilidade de viver momentos com significado. Por isso, hoje falo tanto sobre viagens com propósito, aquelas que acolhem, transformam e ficam para sempre na memória.
Arquitetura, estudo e propósito
Paralelamente à agência, a arquitetura sempre esteve presente na minha vida. Sou arquiteta e turismóloga, com três pós-graduações — Design de Interiores, Neuroarquitetura e Legislação Urbana — e, atualmente, curso mestrado em Arquitetura e Urbanismo. O estudo sempre foi uma forma de ampliar horizontes e criar bases sólidas para o futuro.


Espaços, caminhos e escolhas
Sempre enxerguei a arquitetura como uma forma de contar histórias. Assim como uma viagem bem planejada, um projeto precisa ter significado para quem o vive. Por isso, arquitetura e turismo sempre se complementaram na minha trajetória, unidas pela criação de experiências, sensações e memórias.
Superação, energia e legado
Após momentos difíceis, aprendi a cuidar de mim mesma de maneira mais profunda. Com dedicação e foco, recuperei energia, força e vitalidade — partes essenciais para continuar minhas jornadas, físicas e emocionais. Sempre fui uma pessoa movida por muita energia e amor pela vida. Coloco paixão em tudo o que faço, mergulho de cabeça nos projetos e nas escolhas, mesmo sabendo que isso também me torna mais vulnerável. Ainda assim, sempre escolhi viver de forma inteira e verdadeira.
Mais do que acumular conquistas, meu desejo sempre foi deixar um legado. Não quero ser apenas mais uma história que passa despercebida, mas alguém que constrói caminhos, abre possibilidades e inspira outras pessoas a acreditarem em si mesmas. Cada desafio me ensinou a confiar na minha própria capacidade e a sonhar alto, porque sonhar pequeno ou grande consome a mesma energia — mas apenas os sonhos ousados transformam vidas.
O que levo comigo aos 50 anos
Hoje, ao completar 50 anos, arrumo minhas malas com mais consciência. Levo comigo as dores que me ensinaram, as viagens que me transformaram, os estudos que me fortaleceram e os recomeços que me trouxeram até aqui. Aprendi que não existe um único jeito de viver nem um único tempo para realizar sonhos.



Por fim, entendo que a vida não segue um roteiro fixo. E tudo bem mudar de destino, refazer planos e começar de novo quantas vezes for necessário. Se você também está arrumando as malas, seja para uma viagem, uma mudança ou um novo ciclo, saiba: o caminho pode não ser linear, mas ele sempre pode ser significativo.
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